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agricultura_soja (Foto: José Medeiros/Ed. Globo)

Nem a guerra comercial entre Estados Unidos e China, nem a discussão sobre os preços mínimos de frete no Brasil. Embora essas questões tenham influenciado o mercado de grãos, a principal variável que o produtor brasileiro tem que observar nesse momento é a taxa de câmbio. A Avaliação é do consultor de grãos da Datagro, Flávio França Junior.

“O foco está errado. O problema hoje chama-se dólar. A guerra comercial não é a nossa principal preocupação”, disse ele, em entrevista durante o Global Agribusiness Forum (GAF), em São Paulo (SP).

Segundo França Junior, os atuais patamares do dólar, entre R$ 3,80 e R$ 3,90 são artificiais, condicionados, principalmente às incertezas políticas do país, em ano eleitoral. Na avaliação do consultor, se for eleito um candidato com viés reformista na economia, a tendência é de queda da cotação da moeda americana. Caso contrário, R$ 3,90 “vai deixar saudade”.

“A distorção cambial é político-econômica. Existe o risco de o produtor plantar a próxima safra com dólar a R$ 3,80 e lá na frente vender com a taxa de câmbio a R$ 3,20 ou R$ 3,30”, afirma França Junior.

Apesar de ver o tema como menos importante, Flávio França Junior destacou que o Brasil sofreu perdas – ainda que menores – com a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Desde o início das ameaças de sanções de parte a parte, posteriormente efetivadas, o preço da soja na bolsa de Chicago (CBOT) saiu de patamares próximos de US$ 11 por bushel para ficar em torno de US$ 8,50 nos principais contratos negociados.

“O mercado derreteu porque a China saiu do mercado americano. Faz três meses que a China não compra um grãozinho dos Estados Unidos”, disse França Junior.

Acompanhando esse derretimento das cotações no mercado internacional referenciado em Chicago, França Junior disse que o preço de exportação da soja brasileira caiu 15% nos últimos três meses. No entanto, a elevação dos prêmios nos portos compensou apenas parte dessa queda. O Brasil está vendendo o grão mais barato sem refletir na expectativa para os volumes exportados, atualmente em torno de 70 milhões de toneladas para este ano.

O consultor pondera ainda que a situação do mercado pode se reverter, caso Estados Unidos e China resolvam entrar em acordo. “Não é factível a China reduzir consumo. Pode ajustar, colocar estoques, mas em seis meses, volta para a vida normal, que é comprar soja. Se a China e os Estados Unidos resolvem entrar em acordo, é óbvio que a soja vai estar. Acontecendo isso, o preço volta para US$ 10 e o prêmio derrete”, avaliou.

Safra de verão

Apesar das incertezas, Flávio França Junior não acredita em redução da área plantada com soja no Brasil na próxima safra de verão, que começa a ser plantada entre setembro e outubro. A expansão, no entanto, pode ser menor que a esperada e com menor uso de tecnologia, por conta da pressão do câmbio sobre os custos e o atraso na entrega de insumos, por conta do impasse em relação ao tabelamento do frete.

“Meu número atual deu 3% a mais, mas pode ser 2% ou 4%. Não muda. Em um cenário melhor, era para a área de soja aumentar 6%, 7%, 8%. A situação atual limita esse crescimento”, disse, sem analisar o potencial risco sobre a produtividade. “Tem outros fatores que pesam, como o clima”.

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Source: Rural

Source: Import Rural

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