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bezerro-gado-pecuaria-bovino-holandesa (Foto: Rogério Cassimiro/Ed. Globo)

 

_A população de bovinos de gado de corte apresenta três segmentos: os núcleos de seleção, que aplicam as técnicas de melhoramento genético e são os principais fornecedores de insumos genéticos para os demais estratos da população; os rebanhos multiplicadores, que se caracterizam por multiplicar a genética que flui do primeiro; e, por último, o grande rebanho comercial.

Em todos eles a unidade animal mais expressiva são os bezerros desmamados, porque é o que o produtor mais vende ou seleciona, e, claro, bezerros pesados valem mais no mercado. O peso à desmama dos bezerros, além de se reverter em benefícios econômicos para o produtor, é também um indicador seguro de desempenho do rebanho em termos de crescimento corporal e de eficiência das vacas.

LUIZ JOSAHKIAN é zootecnista, especialista em produção de ruminantes e professor de melhoramento genético, além de superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) (Foto: Divulgação/ABCZ)

O peso à desmama resulta da combinação entre a genética do bezerro para crescimento com o ambiente fornecido pela mãe desde a gestação até a desmama. Trabalhar com essas duas variáveis de forma equilibrada é um desafio porque existe uma correlação genética negativa entre os genes para habilidade materna e aqueles para crescimento, indicando que genes responsáveis pela digestão dos alimentos e sua transformação em reservas corporais são parcialmente incompatíveis com genes para secreção de leite.

De toda sorte, a fertilidade e a produção de leite são características com alto impacto sobre a rentabilidade do rebanho. E isso é fácil de perceber. Na produção de um novilho de corte, 71% do custo total refere-se à mantença dos animais e 70% desse custo é consumido pelas vacas, ou seja, a mantença das vacas representa 50% da energia exigida para a produção de gado de corte. Se somarmos a isso os custos para reprodução e para lactação, teremos que 70% de todo o custo do sistema são gastos na fase de cria. 

Então o desafio é promover uma seleção equilibrada, retendo no rebanho de cria aquelas vacas que combinem capacidade de crescimento corporal e de mantença aliadas à capacidade de produção de leite. Um critério assim irá proporcionar um rebanho de cria eficiente no uso de alimentos e que desmama crias mais pesadas. Na desmama, é comum o primeiro grande descarte do rebanho, especialmente o de machos. Por sorte, a seleção com base no peso à desmama é efetiva porque existem correlações positivas entre quase todas as características de crescimento, ou seja, a seleção com base no aumento do peso à desmama garante, em boa medida, a retenção dos animais mais pesados em idades futuras. Por outro lado, isso não garante uma boa habilidade materna das vacas, o que precisa ser objetivo de seleção também.

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Contudo, mesmo que a produção de leite seja relevante no peso da desmama da cria, o aumento da produção leiteira em gado de corte deve ser conduzido com reserva, só se justificando até o ponto em que a cria tenha capacidade genética de responder ao estímulo nutricional e que não comprometa a reprodução da vaca. Excessos podem ocasionar problemas de diferentes naturezas, como aumento do custo de manutenção da vaca, perda de investimentos na nutrição da vaca, dificuldade de manejo mãe-cria, pela possibilidade de surgimento de diarreias, e, especialmente, redução da funcionalidade reprodutiva da vaca por antagonismos entre os hormônios indutores da secreção láctea e aqueles ligados à reprodução, notadamente nos casos em que as demandas nutricionais não forem atendidas. No fim, a receita é simples: a seleção deve buscar um equilíbrio em diferentes competências dos animais, além do peso. No caso do peso à desmama, as capacidades de crescimento dos bezerros e de produção de leite das vacas devem ser monitoradas simultaneamente.

 

 

*Luiz Josahkian é zootecnista, especialista em produção de ruminantes e professor de melhoramento genético, além de superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Este artigo foi publicado originalmente em novembro de 2018, na edição nº 397 da Revista Globo Rural.

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