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Os zebuínos nelore foram os preferidos do mercado (Foto: divulgação)

 

 

 

Reportagem publicada originalmente na edição 398 da Revista Globo Rural, de dezembro de 2018.

"Foi agitada a temporada de negócios com touros. Ficou acima das nossas expectativas.” A frase é de Lourenço Campos, diretor da Central Leilões, de Araçatuba (SP), uma das maiores vendedoras de reprodutores do país. “Ainda não fechamos o balanço, porém, já vendemos 14.700 animais neste ano e a expectativa é chegar a 17 mil lotes, quantidade acima dos 14 mil licitados nos 12 meses de 2017”, diz.

Lourenço, que é também leiloeiro, lembra ter afirmado para a revista Globo Rural no início deste ano que os leilões por todo o Brasil conseguiriam comercializar pelo menos 50 mil touros. “Creio que fecharemos 2018 acima da previsão.”

Motivos: “Os sobressaltos foram menores. Em 2017, problemas graves como a Operação Carne Fraca espalharam incertezas e prejudicaram as vendas. Não foi uma tragédia, pois a pecuária brasileira evolui a cada ano e o material genético dos reprodutores é necessário, mas houve refluxo em 2017”, diz o leiloeiro.

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Segundo o executivo, 2018 pode ser chamado de o ano da retomada, pois os preços dos lotes de touros superaram os da temporada 2017. “A Central Leilões, por exemplo, obteve, em 2018, uma média de R$ 9.550 pelos exemplares da raça nelore, os mais solicitados, contra R$ 9.200 no ano passado.”

Outro fator que contribuiu para esquentar o mercado foi o comportamento da arroba, cuja cotação melhorou no confronto com o ano de 2017. “Hoje, estamos recebendo de R$ 152 a R$ 155 por ela, um pouco melhor do que no ano passado”, diz.

Lourenço Campos (Foto: divulgação)

 

Lourenço observa ainda que a expansão acelerada da pecuária de corte comercial pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, entre outros, imprime velocidade ao martelo do leiloeiro e incrementa a oferta de reprodutores. Acrescente-se a isso a dinâmica imposta ao mercado pelos compradores da genética nacional vindos de outras partes do mundo, como da África, América Central e Caribe.

“Eles têm urgência em aprimorar a qualidade e o Brasil consegue dar resposta. Temos padrão certificado e gado para ser negociado.”

Igual a outros do mercado pecuário, Lourenço Campos acredita em uma melhora no preço da arroba em 2019 para os negócios com touros continuarem firmes. Segundo ele, as vendas de reprodutores sinalizam o futuro da pecuária.

O diretor da Central Leilões acredita que a economia brasileira deve ficar mais equilibrada no ano que vem e vai propiciar um incremento no consumo interno de carne. Outro fator a estimular a pecuária e que repercute diretamente nos leilões rurais é a exportação de carne. Ao que tudo indica, diz  Lourenço, 2019 deve repetir o ano corrente, que está sendo um dos melhores para as vendas internacionais.

Pregão realizado pela Estância Bahia (Foto: divulgação)

 

O leiloeiro Maurício Tonhá (Foto: divulgação)

 

COMERCIAL

Maurício Tonhá, diretor da Estância Bahia, de Mato Grosso, empresa que é a maior vendedora de gado comercial, tem uma visão positiva da comercialização de touros neste ano, porém, ele entende que o ano problemático de 2017 não deixou de respingar em 2018. “Este ano não correspondeu na plenitude. Mesmo assim, não podemos reclamar, pois vendemos perto de 10 mil reprodutores, volume superior ao de 2017”, diz Maurício. Ele chega a negociar de 10 mil a 15 mil cabeças de gado de corte por edição do seu remate, incluindo bezerros, novilhas, vacas e touros, e conseguiu vender um total de 300 mil cabeças neste ano, número superior ao comercializado na temporada de 2017.

Segundo ele, a cotação dos reprodutores ficou levemente aquém do esperado. “Com os touros nelore, que constituem 90% de toda a oferta, a média variou nos leilões entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Com as outras raças, o resultado médio foi menor”, observa.

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A Estância Bahia vende animais em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pará e Tocantins. A forte atuação é em Mato Grosso, Estado que concentra o maior rebanho bovino do país.

Segundo Maurício, 2018 reforçou uma tendência que vinha sendo desenhada nos últimos anos. “Quero destacar que o mercado se torna mais exigente. Cada vez mais os touros de qualidade top são procurados nos remates”, diz.

“São aqueles avaliados em programas genéticos e que possuem pedigree comprovado para carne. Eles valem o dobro dos demais reprodutores.”

Para Maurício Tonhá, esse cenário vai se consolidar por conta do brasileiro estar apurando o paladar e também da régua de exigência de países para os quais o Brasil exporta.

 

SELEÇÃO

Atuando especificamente com touros nelore de alta qualidade e de procedência conhecida, resultantes de um trabalho de seleção de 37 anos, a CFM Agropecuária, de São José do Rio Preto (SP), consegue manter uma trajetória ascendente em seus leilões exclusivos. Este ano não foi diferente: o grupo vendeu 1.200 reprodutores e deve somar pelo menos mais 150 até o final da temporada. “O ano de 2018 foi melhor que 2017.”

“Nosso público é focado nos negócios e o insumo principal são os touros. Importante: todos os animais CFM possuem Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP). Assim, a empresa consegue ficar à margem dos altos e baixos da economia brasileira e da pecuária”, diz Tamires Miranda Neto, gerente de pecuária do grupo, que atua ainda nos segmentos de eucalipto e cana.

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Tamires continua: “Conseguimos negociar todos os animais de uma determinada safra já no ano seguinte. Não fica nenhum touro. Exemplo: toda a produção de 2017 é vendida em 2018”.
E esse público “focado” torna os leilões da marca CFM ágeis. Em agosto último, um concorrido remate chegou a comercializar 105 touros por hora a uma média de R$ 10.800. “Os pecuaristas conhecem e confiam na genética CFM. Neste ano, fizemos negócios com reprodutores para fazendas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Bahia, São Paulo, Rondônia, Amazonas e Tocantins”, afirma Tamires.

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Source: Rural

Source: Import Rural

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